1.8 “Time Enough at Last” (Enfim, Tempo Suficiente)

Posted: 26.7.10 | Postado por Thiago Manzo | Marcadores: , , , , 1 comentários

Written by Rod Serling
(Baseado num conto de Lynn Venable)
Directed by John Brahm

Um dos episódios mais parodiados ao longo do tempo e com um dos melhores e mais recorrentes atores de twilight zone: Burgess Meredith (Pingüim do Batman, treinador do Rocky, voz do narrador de Twilight Zone: The Movie); na verdade, um dos atores preferidos de Rod Serling junto com o mesmo ator que fez A Passage for Trumpet(Jack Klugman).
Á partir de The Lonely, os episódios começaram a ter um nível de roteiro e história de excelência insuperável que chega a ser difícil não assistir a série. A consolidação já estava bem feita á esse ponto nas televisões americanas e muito se deve à esses episódios que se seguem.

Henry Bemis é um bancário que adora ler livros e sente extremo prazer nisso. Infelizmente, seu chefe e sua esposa não compartilham da mesma idéia. Enquanto o dia se segue, ambos são mostrados odiando as atitudes de Bemis, chamando o hobbie dele de irregular e sem sentido. A raiva de sua esposa chega a tal ponto que ela pede para ele ler uma poesia de um de seus livros. Ao se animar com o pedido, ele abre um dos livros e vê todos as frases riscadas em todas as páginas.
Para entender Henry, vocês precisam entender seu jeito de ver o mundo, o prazer que ele sente só é compartilhado por aqueles que também amam a leitura, que viajam para uma área remota, bem longe daquela conhecida pelas pessoas comuns, ao pé da imaginação. Um homem franzino, de caráter fraco, gentil, com óculos de grau fortes e um senso de sabedoria escondida que se sente só de vê-lo.

No dia seguinte, Henry almoça (e lê) dentro do cofre do banco. O lugar mais sossegado e tranqüilo na hora do almoço. No jornal dele, vê-se a seguinte noticia: “Bomba H capaz de destruição total.” Momentos depois, uma grande explosão é ouvida e tudo treme levando Bemis á inconsciência. Quando ele acorda, abre o cofre e descobre que toda a cidade foi destruída, o banco já não existe mais. Ele está testemunhando o resultado da queda da bomba descobrindo que ele é o único homem vivo na Terra.

Ele se encontra, ao passar do tempo, num mundo de abundância e vazio, com comida para durar uma vida inteira e a solidão tomar conta de sua sanidade. Enquanto ele começa perder a esperança e tentar o suicídio com uma arma, ele vê a biblioteca municipal em ruínas. Ele investiga e descobre que alguns livros estão intactos e possíveis de serem lidos. Todos os livros que ele sempre quis estão á distância dos seus dedos e ele finalmente tem todo o tempo do mundo para ler, sem ninguém para o parar.

Henry organiza os livros em ordem que ele tem intenção de ler para os próximos anos, ao pegar o primeiro livro, ele tropeça e os óculos se quebram em mil pedaços. Sem os óculos, Henry é virtualmente cego sem eles. Em lágrimas(e eu também), ele começa a pegar os restos de seu óculos. “Não é justo, simplesmente não é justo. Eu tinha tempo agora. Eu tinha todo o tempo que eu precisava... Não é justo!”

Um grande episódio que fala sobre discussões sociais como anti-intelectualismo, os perigos da tecnologia e a diferença entre Solitude e Solidão.

.curiosidades: a temática da solidão é recorrente (medo de solidão) e pode ser visto em outros episódios como: “Where is everybody?, The Mind and the Matter.”
O jogo para PC Fallout Tactics inclui uma aventura no qual um bibliotecário que vive num planeta isolado quer que o jogador ache os óculos perdidos dele para que ele leia seus livros.
Em Wall-E pode se ver óculos quebrados numa cena jogado no meio de uns entulhos.

.Thiago Manzo
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1.7 “The Lonely” (O Solitário)

Posted: 20.7.10 | Postado por Thiago Manzo | Marcadores: , , 0 comentários

Written by Rod Serling
Directed by Jack Smight

Esse é o tipo de roteiro e produção que define Twilight Zone. Roteiro objetivo, de estilo característico. Música de impacto marcante de Bernard Herrmann, um dos maiores compositores de Hollywood (Psicose, Tubarão) e atuação de Jack Warren (12 Homens e um destino).

O clássico começa assim: Em 2046, um prisioneiro é setenciado a viver num confinamento solitário no planeta deserto Ceres, lá de tempos em tempos ele recebe a visita de uma nave que deixa suprimentos e notícias da Terra. Nessas viagens o prisioneiro (James Corry) cria um laço de amizado com o capitão da nave, Allenby, que sempre tenta animar James. O ponto alto da espera é encontrar Allenby e jogar um xadrez ou beber alguma cerveja na barraca improvisada que fizeram para o prisioneiro. A tentativa de manter ele são pelo capitão se sustante em tentar deixar sua vida e o resto de sua sentença humanamente superável tentando fazer com que ele pense na solidão. Nessa viagem especifica, entretanto, Allenby diz a James que ele tem uma “entrega especial” para ele e que ele deveria receber ela de mente aberta. Ao abrir o container, ele percebe que foi deixado um robô feminino chamado Alicia, para fazer companhia. À principio, James detesta o presente do capitão tratando ela apenas como uma máquina; pele sintética e fios por dentro apenas. Mas quando James vê Alicia chorando ele começa a se apaixonar.

O tempo passa e o capitão retorna trazendo ótimas noticias de que ele foi perdoado na Terra e julgado por uma comissão de direitos humanos pela forma de seu julgamento brutal de ser enviado para a reclusão e que ele pode retornar imediatamente, porém, a nave só tem espaço para uma pessoa e 20 kgs de bagagem. Ele não entende no começo e tenta levar Alicia mas é negada a possibilidade dela ser embarcada junto devido ao peso. Ele argumenta freneticamente que ela precisar ir junto pois não é um robô, mas uma mulher. O medo de sua solidão transformou aquilo que ele conhecia como apenas uma máquina se tornou seu melhor companheiro e amiga, alem de estar apaixonado, o medo da solidão não aceita que ele veja a realidade e como uma forma de sobrevivência, ele enxerga ela como um humano. Vendo que não há possibilidades de convence-lo o capitão puxa sua arma e atira no rosto de Alicia. James se desespera mas ao ver o rosto de sua “mulher” feito de fios e placas de metal, ele começa a cair na real e percebe que ele vai deixar pra trás apenas a solidão.

.curiosidades: Primeiro de muitos episódios gravados no deserto de Death Valley (I Shot an Arrow into the Air, "A Hundred Yards Over the Rim" and "The Rip Van Winkle Caper").

.Thiago Manzo
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1.6 “Escape Clause” (Contrato de Fuga)

Posted: 16.7.10 | Postado por Thiago Manzo | Marcadores: , , , , 0 comentários
Written by Rod Serling
Directed by Mitchell Leisen

Walter Bedeker é um hipocondríaco abusivo e de péssimo humor que vende sua alma ao diabo, com um nome bem singular de “Cadwallader”, pois ele gosta do som dessa palavra, em troca da imortalidade sendo que ele adiciona condições o suficiente para se manter longe das garras do diabo eternamente. Com essa premissa, você tem uma estória com traços cômicos e cheio de jogos. Bedeker é um homem que fantasia o que parece ser doenças de diversos tipos, não há uma definição de alguma coisa, mas a verdade é que ele é um aproveitador das pessoas à sua volta, um homem pragmático.

Uma clausula de escape ou um contrato de fuga é qualquer clausula, termo ou contrato que permite que uma das partes do acordo evite que o contrato seja cumprido.
O que intriga é que o diabo não se sente surpreendido pelos termos e além de tudo adiciona que se ele quiser “pode morrer a hora que desejar”. Essa é a clausula de escape.

Ele usa a sua invulnerabilidade recém ganha para conseguir dinheiros de seguros e emoções rápidas e baratas se jogando de prédios, causando acidentes e em um deles ele acaba matando sua mulher que tenta parar o seu pulo de um edifício. Em vez de se sentir culpado, com um cálculo rápido e frio, Bedeker se entrega à polícia, pois cansado desse jogo que têm feito ele se acusa do “assassinato” de sua mulher para experimentar a cadeira elétrica e sentir a sensação de tomar choque e não morrer. Vendo por um certo prisma da aventura, ele quase que vira um fetichista, apesar de não haver nada de sexual no que ele faz, mas, ir de um extremo a outro na sua vida quando você tinha medo inconsciente de morrer de qualquer coisa desde gripe e uma lufada de ar frio para ser invencível e imortal é um grande passo para um homem, logo, começar a experimentar tudo sem rédeas virou o ponto mais alto dessa mudança, encarar a cadeira elétrica séria um complemento maior, pois, confirmar um símbolo de morte que não vai matar ele nunca.

Mas eis a surpresa: em vez de ser condenado à morte, ele é condenado à prisão perpétua. Tendo que passar o resto de sua vida dentro de uma cela. Sem liberdade alguma. Tudo graças ao seu advogado que é muito bom e o mantém afastado da cadeira elétrica. Do que vale ser imortal e permanecer o resto da vida preso? Ele lembra-se da clausula de escape e resolve utiliza-La tendo um ataque cardíaco. E como é dito na narração final do Mr. Serling: “Todo homem foi posto na Terra condenado a morrer. Tempo e método de execução desconhecido.”
Como eu disse em posts antigos. Trata-se muito do medo nos episódios de Twilight Zone e esse em especial, trata do medo da mortalidade, pois o homem é o único animal do mundo que é mortal porque sabe a hora do seu nascimento e sabe que vai morrer. Nenhum outro animal do mundo é mortal. Eles existem e se vão como manda a ordem natural do universo. O pior de tudo não é saber que você vai morrer. Mas sim NÃO saber quando morrer.

.curiosidade: Esse episódio é um de três que foram vendidos em um pacote para os patrocinadores assistirem e conhecerem a série. Os outros dois eram: The lonely e Mr. Denton on Doomsday.

.Thiago Manzo
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